Nesse espaço nos deparamos com as entrevistas, um relato do passado que, segundo o autor Luiz Felipe Campos, ao estudar a Ditadura Militar no Brasil, devemos levar em consideração que a “revelação dos acontecimentos ainda que obscuros seja um fator de fortalecimento da democracia.”(2017, p.10). Assim a memória é um fato histórico que realça, relembra e evidencia os acontecimentos da História.
Segue as entrevistas realizadas pelos alunos:
Entrevistas I:
Nome completo: Vera Lúcia Lucena
profissão: Professora
1- Você se lembra de como era viver durante a Ditadura Militar?
Resposta: “Sim, os adultos viviam com medo de se posicionar (politicamente, opinião, etc), os estudantes eram destratados”.
2- Havia algo que você sentia que não podia dizer ou fazer naquela época?
Resposta: “Sim, não podia ouvir certas músicas (Chico Buarque: Cálice; Apesar de você)”
3- Você acredita que o Brasil mudou desde aquele período? Por quê?
Resposta: “Muito, com a abertura foi se consolidando surgiu o pluripartidarismo/ abertura política e direitos e participação da mulher”
4- Na sua opinião, o que as pessoas mais temiam durante a Ditadura Militar?
Resposta: “ A permanência (para as próximas gerações)”
5- Você conheceu ou ouviu falar de alguém que foi preso, perseguido ou censurado naquela época?
Resposta: “ Sim, como Chico Buarque”.
6-Como era a relação das pessoas com o Governo e os Militares? As pessoas confiavam, desconfiavam?
Resposta: “Obedeciam e organizavam de forma sigilosa uma forma de derrubar o sistema”.
7- A escola (ou o que se aprendia) era diferente naquela época?
Resposta: “Sim (muito), conteudistas e como aparelhos ideológicos, disciplina rigorosa. Houve uma mudança de nome para o funcionamento de um sistema de ensino.”
8- O que você gostaria que os jovens de hoje soubessem ou entendessem sobre a Ditadura Militar?
Resposta: “Que não voltasse a acontecer, foi um péssimo período, e também não ter a mesma ideologia”.
Considerações finais: “gosta de deixar a porta aberta da sala de aula, pois na época da Ditadura, caso houvesse uma batida na porta seria (em teoria) algum militar.
Entrevista II
Nome completo: Miguel Lima de Araújo
Profissão: Advogado
O entrevistado contou o relato sobre o seu tio chamado Manuel Paz de Araújo, um político que foi perseguido durante a Ditadura Militar.
Manuel Paz de Araújo (1967) também conhecido como Manuel Gaia, foi um político de Inajá, região do sertão pernambucano, que foi perseguido por dois cabos e um soldado em Jeep da cor verde, por causa de uma suposta denúncia realizada por uma professora que alimentava um sentimento romântico por seu Manoel. Nessa perseguição, os militares saíram de casa em casa atrás de Manuel Gaia que se escondeu em Serra Negra, região que fazia divisa com Inajá e terra indígenas. Por ser político, seu Manoel, juntamente com o prefeito da época, Afonso Alves de Melo foram forçados a entrar no partido da Arena e assumir a direita política. Quando Manoel Gaia faleceu, seu neto jogou, registros e fotos no fogo.
Imagem cedida pelo entrevistado Miguel Lima de Araújo